Maio ainda é mês de falar sobre mães.
E, neste ano, esse tema ganhou um significado completamente novo para mim. Não como uma data no calendário ou uma homenagem bonita que aparece nas redes sociais, mas como algo que atravessa a minha vida todos os dias: na rotina, nas escolhas, nas pausas, nas culpas, nas prioridades e também na forma como eu tenho voltado a olhar para o trabalho.
Depois da chegada da Maria Celeste, estou retomando aos poucos minhas atividades. Mas esse retorno não tem sido como simplesmente voltar para onde eu parei. Porque eu também não voltei a ser exatamente quem eu era antes.
Volto diferente.

Volto com outro ritmo, outro corpo, outra escuta e outra noção de tempo. Volto entendendo, na prática, que a vida nem sempre cabe perfeitamente em uma agenda, que nem tudo pode ser planejado e que algumas pausas não são interrupções: são parte do cuidado.
Ainda assim, voltar também vem acompanhado de sentimentos que nem sempre são fáceis de nomear.
Existe alegria por retomar projetos importantes. Existe vontade de seguir construindo algo em que acredito profundamente. Mas existe também culpa. Culpa por me afastar em alguns momentos. Culpa por não conseguir acompanhar tudo com a mesma intensidade de antes. Culpa por olhar para uma plataforma que nasceu de tanto estudo, dedicação e amor, e sentir que ela também precisa de mim.
A Mais Terapias sempre ocupou um lugar muito especial na minha vida.
Criar uma plataforma como essa nunca foi simples. Por trás do que o usuário vê, existe uma estrutura complexa, feita de decisões, testes, ajustes, conversas, melhorias, erros, aprendizados e muitas escolhas difíceis. Existe uma tentativa constante de transformar necessidades reais da rotina terapêutica em algo funcional, organizado e humano.
E esse trabalho não acontece de forma distante da minha vida pessoal. Pelo contrário. Meu marido é um dos desenvolvedores da plataforma, e isso torna essa construção ainda mais presente dentro da nossa casa, da nossa rotina e das nossas conversas. A Mais Terapias não é apenas um projeto profissional. Ela faz parte da nossa história.
Por muito tempo, ela foi uma das nossas maiores demandas. Aquela que exigia atenção, cuidado, energia e presença. Uma construção que acompanhamos de perto, que vimos crescer, amadurecer e ganhar forma.
De certa maneira, é como se a Mais Terapias fosse nossa filha mais velha.
Uma filha que amamos, cuidamos, acompanhamos e queremos ver crescer cada vez mais. Uma construção que nos orgulha, que nos desafia e que continua pedindo dedicação. Mas, com a chegada da Maria Celeste, uma nova demanda nasceu. Um outro tipo de cuidado passou a fazer parte dos nossos dias. Um cuidado mais físico, mais urgente, mais imprevisível e profundamente transformador.
E aprender a equilibrar tudo isso tem sido um dos maiores desafios dessa nova fase.
Não é simples seguir desenvolvendo uma plataforma complexa enquanto também aprendemos, todos os dias, a ser pais. Não é simples reorganizar prazos, energia, sono, trabalho, casa, rotina e emoções. Não é simples aceitar que, em alguns momentos, será preciso desacelerar. Que algumas respostas virão depois. Que algumas decisões precisarão esperar. Que nem sempre conseguiremos estar em todos os lugares da forma como gostaríamos.
Mas talvez a maternidade tenha me ensinado justamente isso: cuidado real não acontece sem rede.
Cuidar exige presença, mas também exige apoio. Exige organização, mas também flexibilidade. Exige entrega, mas também acolhimento para quem cuida. E quanto mais vivo isso na prática, mais sentido vejo no propósito que deu origem à Mais Terapias.
Porque, no fim, foi para isso que criamos essa plataforma: para conectar todos os envolvidos no cuidado.
Profissionais, pacientes, famílias e cuidadores precisam caminhar juntos. Precisam se comunicar melhor, acompanhar evoluções, organizar informações e dividir responsabilidades. Por trás de muitos pacientes, existe uma mãe acompanhando cada detalhe, organizando horários, buscando respostas, conversando com profissionais e tentando dar conta de tudo.
E por trás de quem cuida, também existe alguém que precisa ser cuidado.
Hoje, vivendo a maternidade de perto, essa frase tem ainda mais força para mim. Eu entendo de outro lugar o peso da rotina, a importância de uma informação clara, o alívio que uma boa organização pode trazer e o quanto a burocracia pode consumir uma energia que deveria estar voltada para o que realmente importa.
É por isso que seguimos comprometidos com a evolução da Mais Terapias.
Mesmo em um ritmo diferente. Mesmo com novas pausas. Mesmo com os desafios dessa fase. Continuamos olhando para a plataforma com o mesmo carinho e com ainda mais consciência da sua importância.
Queremos que ela continue crescendo, melhorando e cumprindo sua principal proposta: aliviar a burocracia dos terapeutas para que eles possam dedicar mais tempo e energia ao cuidado. Queremos que a tecnologia seja uma ponte, não mais uma tarefa. Que ajude a organizar processos, aproximar pessoas e fortalecer as redes que sustentam cada paciente.
Meu retorno ao trabalho tem sido gradual, real e cheio de aprendizados. Não é um retorno perfeito, linear ou sem conflitos internos. É um retorno possível. Um retorno que carrega saudade, adaptação, amor, cansaço, propósito e muita vontade de continuar.
Volto com mais sensibilidade para olhar para as famílias.
Volto com mais empatia pelas mães que acompanham de perto a rotina terapêutica dos filhos.
Volto com ainda mais respeito pelos profissionais que cuidam, orientam, registram, acolhem e sustentam processos importantes todos os dias.
E volto também com uma certeza ainda maior: tecnologia só faz sentido quando ajuda a aproximar pessoas e tornar o cuidado mais humano.
Neste mês de maio, falar sobre mães é também falar sobre tudo aquilo que sustenta o cuidado. É falar sobre quem organiza, quem acompanha, quem se preocupa, quem busca apoio, quem se sente culpada, quem recomeça e quem segue tentando fazer o melhor possível, mesmo quando a rotina parece exigir mais do que cabe em um dia.
Para mim, esse momento é exatamente isso: um recomeço.
Um retorno com novos ritmos, novos sentidos e um compromisso ainda mais forte com aquilo em que sempre acreditamos.
A Mais Terapias continua crescendo. Nós seguimos crescendo com ela. E agora, com a Maria Celeste nos ensinando tanto sobre cuidado, presença e amor, seguimos construindo essa plataforma com ainda mais verdade, propósito e carinho.
Porque ninguém deveria cuidar sozinho.
E é por isso que seguimos aqui.
